
O brilho dos fogos explodindo refletiu-se em seu olhar.
Um sorriso nasceu em seus lábios.
Era tão bonito.
Baixou os olhos para a Terra novamente.
Fitou o mundo ao seu redor.
Pessoas felizes festejavam.
Festejavam a chegada de um novo ano.
Festejavam a esperança que ainda tinham no coração.
Esperança de que tudo daria certo algum dia.
Olhou mais adiante.
Em algum lugar longe dali não havia festas.
Não havia esperanças.
Em algum lugar longe dali havia...
...fome...
...tristeza...
...dor...
...sofrimento...
...lágrimas...
...frio...
...e nada que pudesse aquecer aqueles corações.
Voltou os olhos ao céu.
Fogos de artifício ainda pontilhavam o infinito.
Não os viu.
Dessa vez ela olhou além.
E seu olhar a levou para dentro de si mesma.
Buscou as esperanças que guardava em seu próprio coração.
Desejou poder partilhá-las com aquelas pessoas.
Desejou que tudo fosse diferente.
Não em sua vida.
Mas no mundo.
Desejou que os seres humanos se tornassem humanos de verdade.
Humanos para ver o sofrimento alheio.
E fazer algo a respeito.
Desejou que mais pessoas enchergassem o que ela enchergou essa noite.
Desejou que algo fosse feito.
Mais tarde ela falou a respeito para outras pessoas.
Responderam que não era responsabilidade dela.
Ela sentou-se sob o sol e pensou no assunto.
Decidiu não acreditar naquilo.
Alguns anos depois resolveu procurar por aquelas pessoas.
Realizou seu desejo de menina de partilhar com elas suas esperanças.
Fez alguma dirença no mundo, afinal.
Houve outra oportunidade para levantar os olhos ao céu.
Era ano novo mais uma vez.
Teve outra chance para pensar.
Imaginou como teria sido se não tivesse feito o que estava ao seu alcanse.
Desejou que ninguém repetisse que não era sua responsabilidade.
E sentiu-se feliz por jamais ter acreditado nisso.