domingo, 17 de fevereiro de 2008


Há 18 anos nasceu uma menina...

- Como vai se chamar?
- Alessuza!
- Hã?! Aleluia?! (o.Ô)
- Não! A-les-su-za!

O tempo passou e a menina foi crescendo, criando suas próprias opiniões...

- Você realmente acha que vale à pena jogar tudo no lixo dessa forma?
- Nós vemos as coisas de formas diferentes. Eu não enchergo o que estou fazendo como desperdício de esforço, enchergo como uma nova chance de fazer tudo dar certo. Eu já conheço tudo isso, e não gosto. Então não vejo um motivo para continuar nesse caminho.
- É, talvez você esteja certa. Mas eu faria tudo diferente.

...e uma personalidade muito própria também.

- Eu acho que você deveria pedir desculpas.
- Pois eu acho que não. É uma questão de opiniões. E, se eu estiver errada, dane-se. Sou humana, também tenho o direito de errar. Você me condena agora porque eu estou machucando alguém que você gosta, mas não te vi protestar quando me machucaram também.

Ela teve seus dramas...

- Acho que estou apaixonada.
- Por quem?
- Pelo cara errado!
.
- O que está fazendo aqui?
- Só preciso ficar sozinha durante um tempo.
- Você não pode se esconder para sempre.
- Não. Mas posso me esconder pelas próximas semanas.

... e suas comédias.

- Filha, o que você está fazendo?
- Aprendendo a cozinhar.
- Às 2:00 da manhã?! (o.Ô)
- Eu tô sem sono!
.
- E aí, estudou?
- Estudar...? Para quê?
- Hoje tem prova.
- Hoje tem prova? (o.o') De que?
- Física!
- FÍSICA?! A prova de FÍSICA é hoje?! Porque ninguém me avisou? (O.O')
- Mas o calendário foi divulgado na semana passada! (¬¬)

Mas sempre teve coragem para correr atrás dos seus sonhos.

- Então porque você simplesmente não desiste?
- Porque é simples demais.
.
- Teatro? Você sonha alto demais, menina. Vai fazer o que, comer vento?
- Sempre há lugar para quem é bom no que faz.
- E você é tão boa assim?
- Não o suficiente ainda, mas um dia eu chego lá.
- Vai sonhando então...

Essa menina viu muitos de seus sonhos ruírem...

- Porque está chorando?
- De saudades.
- O passado não volta. Você sabe.
- Sim, eu sei. Mas não posso evitar sentir falta de tudo.

...e muitos outros se realizarem também.

- Parabéns! Você estava linda lá em cima.
- Obrigada! Nossa, eu estava tão nervosa. Nem tudo saiu como o planejado, mas acho que ninguém notou, né?!
- Que isso. Acho que ninguém nem imagina. Foi perfeito!
- Que bom! xD

Essa menina possui os maiores sonhos e os melhores amigos do mundo.
Ela gosta de tomar banho de chuva e cantar com o rádio no chuveiro.
Ela não se importa com a opinião alheia e segue em frente mesmo quando o único apoio com o qual pode contar é o seu próprio.
Ela é capaz de segurar as pontas por muito tempo, mas não hesita em baixar a cabeça quando tem um ombro amigo por perto.
Ela lê muitos livros e planta girassóis.
Ela se apaixona com muita facilidade e vive tudo muito intensamente.
Ela se chama Alessuza e sua história ainda não terminou.

(Alessuza Pires)

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


Muitos de nós possuem o costume de pensar que seus amigos são perfeitos. Não falo da perfeição encontrada na ausência dos pequenos defeitos que moldam nossas personalidades. Afinal, não fosse pelos mesmos, seríamos todos tediosamente iguais. Dessa vez eu me refiro a um tipo muito mais complexo de perfeição. A perfeição medida pelo grau de humanidade embutido em cada um de nós.
Por favor, sem hipocrisias. Todos nós temos nossos momentos negros. Aqueles em que torcemos para que 'fulano' tropece de forma teatral enquanto caminha elegantemente para a frente daquele palco ou aqueles em que soltamos gargalhadas internas, e apenas internas, conservando o bom e velho costume de não fazer feio, quando 'ciclano' bebe um pouquinho além da conta e dá aquele showzinho na festa que será o assunto do resto da semana.
Mas, creio eu, a reação de alguns de nós seria bem diferente se as circunstâncias se mostrassem mais sérias. Espero não estar falando apenas por mim quando digo que jamais seria capaz de negar ajuda ao meu maior inimigo que estivesse passando por dificuldades realmente sérias, daquelas capazes de por uma vida em rumos totalmente novos. E a maioria de nós, como boas pessoas, tem o hábito de acreditar que nossos amigos agiriam da mesma forma que nós em situações similares, que em suas veias corre a mesma quantidade de humanidade que nosso próprio coração bombeia junto com o sangue. Mas as coisas nem sempre são assim.
Me lembro de uma vez em que um de meus professores resolveu ter uma conversa "de pai para filhos" com nossa turma. No meio de um papo bem descontraído ele fez uma pergunta inusitada direcionada exclusivamente aos meninos. Não vejo aqui necessidade alguma de citar a pergunta ou qualquer outro detalhe relativo ao fato. Mas o tema que me inspirou hoje foi a lembrança dessa cena. Para ser sincera, me senti chocada e imensamente decepcionada com as respostas. O tipo de decepção que se sente quando se tem espectativas muito grandes a respeito de alguém e descobre-se que a pessoa não é capaz de preenche-las.
A verdade é que passei a olhar todas as pessoas com outros olhos a partir de então. O que aconteceu foi que todas as pessoas que eu esperava que apresentassem um argumento negativo, apresentaram um argumento positivo e as poucas pessoas que me deixaram na dúvida ou então na certeza de que apresentariam o tal argumento positivo me surpreenderam. E o motivo de tamanha surpresa foi a resposta que eu mesma daria caso alguém se interessasse em saber minha opinião a respeito.
O fato, eu aprendi apenas mais tarde, é que pessoas diferentes possuem valores diferentes e isso não impede que se tornem grandes amigos. Opiniões diferentes não devem ser postas em discussão jamais. Eu aprendi a guardar meus valores para mim, embora tenha que admitir que também aprendi a 'julgar' minhas companhias, sejam elas meus melhores amigos ou a recepcionista da clínica médica. Não me envergonho desse julgamento por não estar dentro de meus direitos, como muitos fariam questão de pregar, pois se há algo que todos concordamos é que o autoconhecimento é fundamental e nenhum de nós poderia se ver por completo sem utilizar espelhos.
Hoje penso que cada um de nós deve medir o grau de humanidade presente em si mesmo e depois começar a medi-lo também nas outras pessoas. E quando você encontrar alguém com um grau de humanidade semelhante ao seu,bem... talvez seja interessante convidar essa pessoa para jantar.

(Alessuza Pires)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008


Uma vez um amigo me deu um tema e pediu que eu escrevesse a letra de uma música para ele. O assunto nunca mais foi discutido até que hoje, fuçando textos antigos durante uma tarde mais ou menos tediosa de férias, eu encontrei a tal música e resolvi postá-la.


Sobre te amar

É complicada essa idéia de te ver livre por aí
Saindo com todas essas pessoas vazias
Porque eu perco meu tempo pensando em você
E você revira os olhos como quem diz "tanto faz"

Refrão
Já era, não há mais reação
Fico imaginando como seria
Seguir em frente, olhar adiante
Meus passos ecoando no chão
Só quero estar longe daqui
Em qualquer outro lugar

O que chamam de amor, afinal?
Esse mosntro à espreita que me vigia e me faz vacilar?
Essa estúpida impotência que gira minha cabeça para onde não quero olhar?

Coisa mais estranha
Segura meus pés
Controla meus passos
Não me deixa correr
Eu só quero estar
Em qualquer outro lugar
Longe de você
(Alessuza Pires)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Ah... Que Saudades do Futuro

Pois é... parece estranho dizer, não?
Saudades do futuro...
Mas é isso. É exatamente isso.
Saudades de todos os planos que fiz e que nunca chegaram a se realizar.
E também daqueles que - agora sei - nunca se realizarão.
Continua estranho.
Mas eu tenho saudades do meu futuro.
Saudades de quando ele ainda era futuro - agora que já se tornou prensente.
E continuarei tendo saudades. Talvez estas sejam eternas.
Faz parte da natureza humana isso, não?! Sentir saudades? Mesmo do que nunca aconteceu?
É diferente a saudade gostosa de algo que foi presenciado da saudade agonizante de algo que deveria te-lo sido.
Porque o primeiro tipo faz você se sentir bem, de certa forma. A simples consciência de que aconteceu nos torna mais satisfeitos conosco mesmos. Afinal, saudades apenas se tem do que valeu à pena e satisfação do que foi realizado. Ou não?
Já o segundo tipo vai te consumindo aos poucos. Te faz sentir ligeiramente mais frustrado a cada segundo durante o qual se pensa no assunto. Mas, como qualquer outra coisa na vida, também pode ter seu efeito revertido. Algumas vezes o segundo tipo de saudade te impulsiona rumo às realizações cobradas por sua já conturbada consciência. E aí, ela será mais benéfica que a primeira.
Mas, como eu costumo dizer, tudo na vida é uma questão de interpretação. Cada um deve interpretar seus próprios sentimentos da forma como achar melhor.
Aqui eu vos apresento apenas alguns pensamentos que cruzam minha mente de forma estranha em algum momento em que a mesma se encontre de alguma forma vazia. Nada é fato. Mas também, o que é um fato na vida?

(Alessuza Pires)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Ela olhou para o céu.
O brilho dos fogos explodindo refletiu-se em seu olhar.
Um sorriso nasceu em seus lábios.
Era tão bonito.
Baixou os olhos para a Terra novamente.
Fitou o mundo ao seu redor.
Pessoas felizes festejavam.
Festejavam a chegada de um novo ano.
Festejavam a esperança que ainda tinham no coração.
Esperança de que tudo daria certo algum dia.
Olhou mais adi
ante.
Em algum lugar longe dali não havia festas.
Não havia esperanças.
Em algum lugar longe dali havia...
...fome...
...tristeza...
...dor...
...sofrimento...
...lágrimas...
...frio...
...e nada que pudesse aquecer aqueles corações.
Voltou os olhos ao céu.
Fogos de artifício ainda pontilhavam o infinito.
Não os viu.
Dessa vez ela olhou além.
E seu olhar a levou para dentro de si mesma.
Buscou as esperanças que guardava em seu próprio coração.
Desejou poder partilhá-las com aquelas pessoas.
Desejou que tudo fosse diferente.
Não em sua vida.
Mas no mundo.
Desejou que os seres humanos se tornassem humanos de verdade.
Humanos para ver o sofrimento alheio.
E fazer algo a respeito.
Desejou que mais pessoas enchergassem o que ela enchergou essa noite.
Desejou que algo fosse feito.
Mais tarde ela falou a respeito para outras pessoas.
Responderam que não era responsabilidade dela.
Ela sentou-se sob o sol e pensou no assunto.
Decidiu não acreditar naquilo.
Alguns anos depois resolveu procurar por aquelas pessoas.
Realizou seu desejo de menina de partilhar com elas suas esperanças.
Fez alguma dirença no mundo, afinal.
Houve outra oportunidade para levantar os olhos ao céu.
Era ano novo mais uma vez.
Teve outra chance para pensar.
Imaginou como teria sido se não tivesse feito o que estava ao seu alcanse.
Desejou que ninguém repetisse que não era sua responsabilidade.
E sentiu-se feliz por jamais ter acreditado nisso.

(Alessuza Pires)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007



INTENSA
Acho que essa é a palavra mais perfeita para me descrever.
Eu que, por tantas vezes senti com tanta força que pensei que poderia explodir.
O que eu sinto agora? Saudades.
Saudades dos meus amigos. Tanto dos que estão longe quanto dos que estão perto.
Saudades da antiga casa dos meus avós, onde eu alimentava a criação e colhia frutas no pomar.
Saudades das aulas de natação, onde eu conversava o tempo inteiro e mergulhava quando era a minha vez de atravessar a piscina.
Saudades também das aulas de teatro. Teatro pelo qual me apaixonei.
Saudades do primeiro amor não correspondido que hoje eu nem me lembro de como me fazia sentir.
Saudades do cachorrinho que tive e fugiu durante a noite. Se chamava Dumbo.
Saudades da minha bizavó, que fazia aniversário um dia depois de mim. Eu sempre ia pra casa dela e nós comíamos bolo de chocolate dançando com o parabéns.
Saudades de uma das melhores amigas que já tive na vida e que espero reencontrar um dia.
Saudades de fazer planos para um futuro que pensei que nunca chegaria e que agora sou obrigada a bater a porta na cara dele.
Saudades de não entender algumas das músicas mais tristes que já ouvi na vida.
Ah...
Como eu odeio ser intensa assim.
Como eu odeio sentir saudades.
Como eu odeio relembrar o passado.
Como eu odeio estar tão assustada, ter medo do futuro...


(Alessuza Pires)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Há um preço para tudo, inclusive para a estupidez humana. Nós já fomos longe demais e não há como voltar atrás. Os dados foram lançados, mas a humanidade ainda não aprendeu a jogar esse jogo.

Quando eu era pequena não havia tantas discussões sobre aquecimento global. Os verões não eram tão quentes e os livros de geografia diziam que não havia terremotos ou furacões no Brasil. Bem, na madrugada do dia 09 de dezembro houve um terremoto em Minas Gerais. Uma criança de cinco anos morreu esmagada pelas paredes da própria casa.

Eu só queria entender como as pessoas podem pensar que tais fatos se tratam apenas de fatalidades quando, na verdade, inocentes estão pagando por erros do passado. Erros que foram previstos e ignorados. Erros que já não podem ser concertados.

Eu ainda sou jovem e espero viver muito. Mas tenho medo de saber como será minha vida daqui a algumas décadas, presa num planeta destruído pela ambição humana.

As pessoas insistem em não enxergar, mas a verdade é que caminhamos todos juntos para uma guerra contra a natureza. A mesma natureza que nos criou e que aprendemos a destruir. A natureza que agora busca vingança.

(Alessuza Pires)